A Obesidade e suas consequências

A obesidade é uma doença e como tal, deve ser tratada.

É importante saber que uma vez instalada não existe cura, a cirurgia bariátrica não tem a função de cura da obesidade, funciona como uma ferramenta de controle e seguindo as recomendações à risca o indivíduo terá uma vida normal e com o mínimo de consequências negativas em relação à cirurgia, digo mínimo, porque algumas mudanças ocorrerão, e no primeiro momento, poderá não ser fácil, é necessário levar em conta o período de adaptação.

Um bom exemplo para essa questão é pensar no fato do porque muitas pessoas que realizam algum tratamento clínico ou dieta emagrecem por um tempo, porém, voltam a engordar porque retornaram aos velhos hábitos, ou seja, mesmo tendo optado pela cirurgia, a mudança de hábitos alimentares e a forma de comer, são etapas do processo tão importantes quanto a própria cirurgia.

A gordura em excesso é uma sobrecarga para os órgãos, leva o organismo à exaustão, pois é necessário que os órgãos trabalhem muito mais para terem seu funcionamento perfeito. Outra questão é o aparecimento de doenças ligadas ao excesso de peso, são elas:

Diabetes, a hipertensão arterial, se o indivíduo é portador de obesidade desde a infância ou adolescência, muitas outras doenças também podem se instalar precocemente, tais como: asma, apneia do sono, síndrome do ovário policístico, cálculos na vesícula, ginecomastia, entre outros.

Na esfera social, as dificuldades ocorrem desde não encontrar uma roupa que agrade, até sentir se excluído pela sociedade.

O preconceito e a insegurança de viver em um mundo competitivo são constantes na vida de um obeso.

Existem ainda alguns padrões negativos que podem se instalar, como a baixa autoestima, vergonha, sentimento de inferioridade, privam-se do que a vida pode oferecer, acabam se isolando e encontram nessa atitude a suposta segurança que procuram.

Logo, o ato de comer se torna um refúgio, pois traz bem-estar, comer é efetivo e nesse momento o individuo esquece os problemas. Episódios de compulsão podem ocorrer, são caracterizados pela ingestão de grande quantidade de alimentos e a perda de controle.

A compulsão por sua vez, necessita ser tratada, mas este é outro assunto, aqui vou me ater à questão da obesidade.

Outro agravante é o sedentarismo, temos a tecnologia que agiliza várias etapas facilitando a vida, mas também traz suas perdas, é importante dosar e achar a medida certa para não se prostrar e ficar dependente de toda essa “facilidade”. É só pensar nos tempos de nossos avos e nos antepassados, o homem caçava seu alimento, nossos avos não tinham as tecnologias que temos hoje, faziam as coisas caminhando, viviam num mundo sem carros, aspirador, maquinas de levar, elevadores etc., portanto tudo dependia do gasto energético corporal.

Tente lembrar se naquela época havia obesos ou pessoas com doenças decorrentes da obesidade.

O consumo de alimentos industrializados ricos em gordura animal e açúcares, pobres em carboidratos complexos e fibras, contribuem para o aumento da obesidade.

O ganho de peso é complexo, é uma doença que depende também de um componente genético e do ambiente, porém cada indivíduo terá um tipo de genética que se relacionará com o meio resultando no peso corporal nas diferentes etapas da sua vida.

No Brasil, a obesidade elevou-se em praticamente todas as classes sociais, iniciando pelos ricos até uma família que está acima da linha da pobreza e entre homens e mulheres.

Um estudo realizado pelo Ministério da Saúde divulgou que metade de população está acima do peso, em São Paulo esse o percentual é de 47.9% de pessoas com excesso de peso, representando em um dado alarmante, considerando os próximos 5 ou 10 anos esse número tende a crescer caso não se efetive políticas públicas que trabalhem em prol de uma alimentação mais saudável e consequentemente a redução da ingestão de alimentos industrializados, a inserção da prática de exercícios físicos no cotidiano das pessoas, de retomar o prazer em cozinhar optando por escolhas saudáveis. A conscientização através de campanhas é o meio mais rápido para se atingir o maior número de pessoas multiplicando o conhecimento com a possibilidade de transformação para uma vida mais saudável.

Pensem nisso!

Por Maristela Silva
Psicóloga - CRP 100464

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