Como Identificar a Síndrome do Pânico

A síndrome do pânico é caracterizada pela repetição frequente das crises de ansiedade que ocorrem, geralmente, com quem possui Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). As crises podem ocorrer aparentemente sem motivo específico ou sinais reais de perigo iminente desencadeando ataques em qualquer situação e período do dia, inclusive durante o sono. Não há comprovação de causas pontuais que possam provocar o transtorno, porém, há fatores comportamentais, como estresse, perdas, doenças repentinas que podem indicar uma predisposição maior a esta condição. Fisicamente a pessoa acredita estar diante de uma situação de morte por um possível ataque cardíaco, por exemplo. E psicologicamente acredita que irá perder (e perde) o controle do próprio corpo, dos pensamentos e das emoções. Ainda que ela saiba que a situação não é real. As crises costumam durar cerca de 10 minutos, mas podem variar dependendo da intensidade em que ocorrem.

Geralmente a síndrome do pânico surge entre a fase final da adolescência e o início da fase adulta, podendo ocorrer também após os 30 anos e durante a infância com diagnóstico pontual quando a criança estiver mais velha. Mulheres entre 18 e 40 anos têm uma tendência duas vezes maior de passarem por estes episódios do que os homens. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil ocupa o grupo de maior número de pessoas com ansiedade. Portanto, apesar de haver esta disposição de sexo e faixa etária, qualquer pessoa pode enfrentar uma síndrome do pânico diante do cotidiano estressante e corrido no qual vivemos, por isso a importância da prevenção e de cuidar do bem-estar mental.

Sintomas da síndrome do pânico

Os sintomas são os mesmos das crises de ansiedade, entretanto, se manifestam em uma proporção mais acentuada, sendo eles:

  • Tensão muscular;
  • Taquicardia;
  • Falta de ar;
  • Suor excessivo;
  • Sensação de morte iminente;
  • Tremores;
  • Longos períodos de insônia;
  • Medo desproporcional.

Podem ocorrer também:

  • Desmaios;
  • Formigamentos;
  • Pernas bambas;
  • Náuseas e vômitos;
  • Palidez;
  • Sensação de estar “fora do corpo”.

As preocupações constantes quanto às crises acabam afetando as relações simples do cotidiano e causam a sensação de medo do medo, ou seja: o receio de ter outro ataque faz com que a pessoa comece a evitar determinadas situações e essa condição pode se tornar uma fobia. Sair de casa para ir ao mercado ou até mesmo ir trabalhar se torna motivo de grande angústia e sofrimento, o que faz com que, em alguns casos, a síndrome do pânico se torne incapacitante. Essa mudança comportamental pode gerar o isolamento do meio de convivência de amigos e familiares, abandonando parcial ou total da vida social, baixa autoestima, além de despertar questões mais graves, como inclinação ao alcoolismo, depressão e abuso de drogas, bem como a predisposição a se tornar cada vez mais reclusa.

Tratamento para síndrome do pânico

O tratamento mais adequado para a síndrome do pânico é a psicoterapia por sua significativa eficácia no auxílio da compreensão de como administrar os conflitos. Em casos mais graves, além do acompanhamento psicológico, pode ser necessário recorrer a um médico psiquiatra, que é quem tem autorização para prescrever medicação. Aliado a isso, vale lembrar a importância da inclusão de novos hábitos como uma alimentação saudável e técnicas que ajudam no relaxamento como artesanato, meditação e a prática de atividades físicas para reduzir o sofrimento físico, psíquico e social. Vale lembrar que a busca precoce por atendimento pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento e a psicoterapia é também uma ferramenta de prevenção que melhora significativamente a saúde mental de qualquer pessoa, mesmo as consideradas saudáveis, e promove qualidade de vida.

Por Maristela Silva
Psicóloga - CRP 06/100464
Especialista em Transtornos alimentares e obesidade e formanda em Psicanálise

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