Conhece a emoção que está sentindo?

Muitas vezes quando nos sentimos tristes, insatisfeitos ou incomodados com algo, nem sempre sabemos o que fazer ou como lidar com aquilo que nos incomoda e algumas vezes o alimento entra como algo acolhedor e tão satisfatório, afinal o ato de comer é afetivo, traz memórias e tira o indivíduo daquele momento angustiante. Uma vez estabelecida essa sequência de atos, onde a pessoa se sente insatisfeita, na maioria das vezes é um afeto ruim, vai buscar a comida, nesse momento aquela sensação ruim já não é mais sentida e um sentimento prazeroso surge com o ato de comer, é como uma espécie de fio condutor que estabelece esse habito na vida do indivíduo. Então se sente triste e sente vontade de comer, não consegue lidar com algo e busca na comida algum acolhimento.

Muitas vezes estamos no “piloto automático”, a velocidade com que as coisas acontecem, a liquidez das coisas, uma rotina cheia de tarefas e prazos difíceis de se cumprir faz com que não nós percebamos nesse estado.

O primeiro passo é vislumbrar que existe um sentimento ruim, que está chateado, infeliz, incomodado, inseguro, com medo, conseguir compreender as emoções e o que gerou essa sensação é dar um grande passo no entendimento de si próprio e a partir desse momento lidar de uma forma mais saudável com aquilo que incomoda. Isso não é uma tarefa fácil embora possa parecer simples, pois muitas vezes aquela pessoa, pertencente a uma determinada família aprendeu que falar sobre os seus sentimentos é um sinal de fraqueza, é desnecessário, sem importância, então, tudo vai para debaixo do tapete, torna-se algo reprimido.

Para Freud lembrar de memorias do passado só seria terapêutico se a pessoa reviver o afeto ligado àquela situação, como é sentir-se em relação a determinada situação ou até sobre algo que ouviu.

Começar a se perceber de forma genuína, pressupõe desacelerar o ritmo da vida, atentar aos momentos vividos, as grandes paixões internas, aquilo que te inspira, que te move.

Afinal, como está vivendo sua vida hoje?

Por Maristela Silva
Psicóloga - CRP 06/100464
Especialista em Transtornos alimentares e obesidade e formanda em Psicanálise

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