Recordar, repetir e elaborar

Recordar, repetir e elaborar constituem a base do pensamento psicanalítico. Para Freud, o paciente não necessariamente recorda de algo, mas repete inconscientemente e expressa através da fala na figura do analista, ou seja, não é algo lembrado, é repetido, assim como os afetos, sentimentos e até comportamentos do início da vida.

À medida que a análise avança, permite que o paciente rememore fantasias e pensamentos inconscientes que são transferidos para o analista através das repetições, permitindo a criação de novos significados.

As primeiras experiências na vida o sujeito, desde o seu nascimento e a infância são primordiais para a constituição do psiquismo e da vida afetiva. Durante a análise são expressas passagens da vida do sujeito de uma fase em que ainda era bebê, os momentos difíceis, o sofrimento sentido e ainda não compreendido.

Percebemos na análise pontos primordiais que não foram estruturados durante a infância, às vezes por falhas na maternagem, dificuldades ou problemas familiares que impediram a construção de uma base sólida para o desenvolvimento da criança e uma vida adulta madura.

O analista tem o papel de ajudar o paciente a construir nessas lacunas, preencher o vazio, reduzindo as repetições para que siga seu caminho.

Por Maristela Silva
Psicóloga - CRP 06/100464
Especialista em Transtornos alimentares e obesidade e formanda em Psicanálise

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