Perda e Luto

Como lidar com essa questão e o que fazer para amenizar o sofrimento?

Difícil de tratar, é doloroso, causa dor e sofrimento, quer seja com a perda de um ente querido ou a perda do objeto amado.

Atualmente a presença da morte, se faz presente de forma constante. Através do que é noticiado pela TV, ou em outros meios. Na TV, escutamos o tempo todo sobre a morte de pessoas, ou porque se foram por alguma doença, ou por conta da violência nas cidades, percebemos de forma mais evidente o quanto a perda está presente nas nossas vidas. De alguma forma nos causa um impacto e nos faz refletir, na tristeza que o outro sente ou até de imaginar que esses “acidentes” poderiam ocorrer com cada um de nos.

Como lidar com essa questão e o que fazer para amenizar o sofrimento?

Embora o ciclo da vida seja constituído por nascimento, crescimento, reprodução e morte, para esta última nem sempre estamos preparados. Para alguns indivíduos a finitude pode ser vista como um processo natural da vida, para outros, sequer cogitam a ideia da morte.

De fato o que causa estranheza é imaginar que um dia a existência, a permanência concreta, palpável, tão cheia de coisas, não necessariamente boas, deixará de existir, não haverá mais o que vislumbrar. Quando se tem essa percepção, por conta de perda de amigos, familiares, idade avançada, doenças, a violência, pode-se alcançar um olhar que possibilite ao individuo se despir do orgulho, das mazelas do dia a dia, daquilo que não tem real importância, e considerar a vida e o outro de forma mais valorativa, apreciando detalhes que antes não eram vistos.

Passar a considerar os acontecimentos negativos e refletir sobre eles, permitirá um amadurecimento relevante para uma aceitação do que esta por vir, permitira um fortalecimento frente aos acontecimentos negativos. Quando se vive a perda do objeto amado a dor é tão forte que cada um busca de diversas formas para amenizar seu sofrimento. Existem algumas fases que não acontecem necessariamente em uma sequencia especifica, podendo não passar por todas elas também.

  • Negação: Acontece quando o individuo não acredita, busca outras formas de confirmação, não aceita o fato;
  • Raiva: Pode acontecer culpa e destinar o sentimento de raiva a todos que estão ao redor e até às suas crenças religiosas;
  • Barganha: Pode ser uma tentativa de fazer com que as coisas voltem a ser como eram antes. O individuo promete que vai mudar, fazer as coisas de forma diferente. No geral são promessas de mudanças. Pode ser positivo, no sentido de refletir e aos poucos aceitar o que ocorreu e conseguir realizar suas transformações de forma positiva e o mais saudável possível;
  • Depressão: Nesta fase pode acontecer uma desconexão com o mundo e as pessoas, um cansaço, falta de desejo em realizar os afazeres do cotidiano, falta de interesse pela vida. A tristeza pode aumentar e se transformar em uma depressão, onde o individuo pode vivenciar e sair de forma positiva ou será necessário ajuda profissional para elaborar todo esse processo.
  • Aceitação: Depois de passar por momentos bastante difíceis, a tristeza e saudades ainda farão parte, porém, não há mais aquela vontade de que as coisas voltem a ser como antes, começa a aparecer um pouco de serenidade nessa etapa. Não é exatamente um momento de alegria, mas de compreensão dos fatos e entendimento, outras emoções e sensações passam a ser vivenciadas e a partir desse momento a elaboração do processo de luto se faz presente.

É fato que o tema “morte”, “perda”, “como lidar com o luto”, precisam ser falados, comentados, discutidos, de forma que possibilite às pessoas a compreensão desses acontecimentos de maneira mais efetiva, com recursos para elaboração e menos adoecimento nesse processo.

Busquem ajuda sempre que necessitarem!

Por Maristela Silva
Psicóloga - CRP 06/100464
Especialista em Transtornos alimentares e obesidade e formanda em Psicanálise

maristela.silvabs@gmail.com
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